Polícia albanesa usa canhões de água para dispersar centenas de estudantes em protesto
Centenas de estudantes voltaram hoje às ruas da capital albanesa para protestar contra as políticas educativas do Governo de Tirana, tendo sido dispersos pelas autoridades com canhões de água e gás lacrimogéneo.
Numa altura em que as manifestações têm sido diárias, desde a semana passada, os estudantes reuniram-se hoje à tarde em frente ao Ministério da Educação, no centro da capital, para exigir mais recursos para o ensino e protestar contra as políticas do Governo para o ensino em geral e para as Universidades, em particular, segundo descreveu a agência de notícias espanhola EFE.
A polícia tentou dispersar o protesto com canhões de água e gás lacrimogéneo, enquanto os manifestantes, muitos deles mascarados, atiravam pedras e tijolos contra os polícias, segundo imagens dos canais de televisão News24 e da CNN, descritos por agências internacionais de notícias.
Os confrontos mais intensos ocorreram na principal via de Tirana, a Avenida Deshmoret e Kombit.
Durante os protestos da semana passada, os manifestantes incendiaram vários edifícios públicos, incluindo os ministérios da Educação e das Finanças, e o Tribunal de Recurso.
A favor do protesto dos estudantes, está o Partido Democrático (PD), a principal força da oposição, que convocou para hoje um protesto em frente ao gabinete do primeiro-ministro, Edi Rama, em Tirana.
Edi Rama, que governa a Albânia desde 2013, recusa-se a demitir-se e atribui o conflito com os estudantes a redes de desinformação originárias da Rússia e do Irão, assim como a grupos de extrema-esquerda.
No dia 14 de outubro, mais de duas dezenas de estudantes albaneses ficaram feridos e 20 foram detidos após confrontos com a polícia na capital da Albânia durante um protesto para exigir a demissão do primeiro-ministro.
Os protestos inserem-se na chamada "Revolução dos Flamingos", um movimento até agora pacífico que teve início em maio passado, depois de ter vindo a público que o Governo planeava vender terrenos num parque natural a um projeto turístico de empresários estrangeiros ligados a Jared Kushner, genro do Presidente norte-americano, Donald Trump.